sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Acabei de escutar no rádio

"Pra que mentir, fingir que perdoou?
Tentar ficar amigos sem rancor.
A emoção acabou,
Que coincidência é o amor.
A nossa música nunca mais tocou."

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Falando de mim mesma

Ultimamente tenho me surpreendido comigo mesma, estou muito disciplinada e determinada no que diz respeito à mim mesma. Eu sempre gostei de andar bem vestida, cabelos bonitos, unhas feitas.. mas confesso que o ciúme excessivo da outra parte me travava um pouco. E aí me acostumei a não dedicar tanto tempo às minha vontades, à minha vaidade, à mim. Quando dava eu fazia a unha, mas se eu não fizesse toda semana tudo bem também. E assim fui seguindo.
Nos últimos meses eu tenho adorado o tempo em que a prioridade sou eu! Tenho feito pé e mão toda semana, incluindo massagem (sim! eu mereço), andei fazendo umas hidratações no cabelo, às vezes uma escova, sobrancelha e buço ok, e a depilação mais dolorida (rs) sempre em dia também. E marquei de pintar o cabelo na sexta feira, pra igualar a cor Depois, de repente, faço umas luzes levinhas como eu gosto. Pro verão fica show!
E tenho andado muito ligada em roupas e acessórios. Sapato eu também gosto, mas não compro com tanta freqüência. Também não tenho esse impulso consumista todo não! Falando das roupas, tenho notado nas vitrines um estilo que eu adoro, bem romântico com cores clarinhas, muito lacinho, manga fofa, vestidos "cutes". Looks bem menininha, claro que para meninas crescidas e clássico como eu gosto. Básico, tudo pra mim deve ser clássico e básico, odeio extravagância.
Ontem na hora do almoço comprei a roupa do batizado da Gigi e fiquei feliz com a escolha, a princípio eu tinha ficado em dúvida entre dois vestidos que ficaram divinos em mim. Certinhos! Mas eu impliquei um pouco com a cor, eu tinha idealizado uma roupa e tinha que ser clara. Como o vestido que eu mais gostei era um vermelho fechado - vinho praticamente. Eu não estava lá muito satisfeita. Daí vi e apaixonei por uma saia lápis branca, reta até o joelho, com um cinto. Não queria mais saber do vestido, era o look básico e clean que eu tinha em mente. Completei com uma blusa de tecido azul beeem clarinha e saí de lá feliz da vida! No caminho ainda parei pra comprar cintos, de laços. Falei que estou in love com laços? E acabei comprando outro vestido básico (jeans) e uma camisa branca de manguinha fofa. Totalmente no estilinho que eu ando apaixonada. E agora olhando a internet percebi que entrei, sem querer, na nova tendência do Verão 2011: Esse estilo chama-se Lady Like. Fofo, né? Amei!!! Estou totalmente apaixonada pelo estilo Lady Like.
E falando no que eu ando gostando por aí, não poderia dexar de falar na ginástica. Era uma coisa que eu queria voltar mas tinha preguiça, não queria nem pensar em como ia encaixar mais um horário na minha agenda apertada, conciliar com a empregada, crianças. Mas um dia eu venci essa barreira, botei o plano no papel, combinei com a empregada e finalmente fiz a minha matricula! Tem um mês e pouquinho, estou amando. Vou todo dia, faltei muito poucas vezes, por logística ou porque eu estava gripada. E vou mesmo que a musculatura esteja dolorida, pego mais leve mas vou! Como isso mudou a minha vida. Ando bem humorada, gostando muito mais do meu dia, começo com mais disposição e termino feliz.
Escolho as aulas que mais me atraem, que são mais dinâmicas e coreografadas (a dança sempre presente na minha vida) e intercalo com um pesinho de vez em quando. E agora estou começando a aula de dança de salão à noite, adorei a primeira aula. Como disse a Bia, depois da segunda música você fica feliz pra sempre e o mundo acabar. Lembrando aquela música do Capital Inicial: "O mundo vai acabar e ela só quer dançar, dançar, dençar..."
E tem também a dieta, caminhando em paralelo à Gym. Ao todo, eliminei 3.600g. Mas além do peso perdido, eu eliminei medidas. Isso faz com que as roupas voltem a ter o caimento melhor, muitas estão largas e feias, e isso me motiva mais e mais.
Estou num periodo de me descobrir, de me gostar, de me cuidar. Tem me feito muito bem isso, e mais ainda, me dá a certeza que eu posso muita coisa. Que o meu limite, me quem dá sou eu. Simples assim.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Escrito em 04/11/2010

Hoje tá me dando uma pontinha de tristeza, penso que pode ser que eu esteja me sentindo um pouco sozinha. Mudei de andar no trabalho e mudanças são sempre difíceis pra mim. Essa semana estou um pouco fora de órbita.
Ontem aquela estória da amiga que não é minha amiga me tirou um pouquinho do prumo. Esse sentimento nada tem a ver com ele, tem a ver comigo. Ela não foi leal à mim, mas pensando bem, ela teria que ser? O que me incomoda nas pessoas é a necessidade de saber da vida do outro e se sentir no direito de dar opinião.
Pro inferno a opinião deles todos! Ninguém sabe na realidade o que eu passei, e nem vai saber. Eu não falo sobre isso, fiz um pacto comigo mesma que não falaria dos detalhes feios pra mais ninguém, a não ser os envolvidos diretamente. Eu apenas ia contar o fato: Estou separada, ponto. Mas todo mundo quer saber o motivo! Já falo logo de desagste, outro ponto. E assim o papo muda o rumo, a pessoa fica satisfeita.
Minha amiga do trabalho hoje me falou que lembrou de mim vendo o último episódio de "As Cariocas", em que a personagem se separa e vira o assunto da vez. Ela me contou que algumas pessoas foram comentar com ela que ouviram em algum lugar a estória da minha separação, ainda me assusto com esse comportamento dos seres humanos. Mas é isso, agora a novidade é essa, uma hora as pessoas se acostumam ou então entra outro "causo" mais interessante pras pessoas comentarem.
Voltando ao ponto me sentir sozinha, também me perco no meio de tanto assunto, é assim... Dessa ordem. É que assumir tudo me cansa e também me dá preguiça. Tenho medo de esquecer alguma coisa, e quando fatalmente esqueço fico mal. E como me dividir pra atender à tantas demandas?
Quando eu era casada, éramos dois para cuidar de dois e tudo relacionado à casa e essas demandas da ordem domiciliar. Quando um chegava tarde, tinha o outro pra suprir. Quando um estava com dor de cabeça, o outro dava banho na criança. E quando o outro não estava disposto, o um fazia o dever de casa.
A única coisa que eu tinha que gerenciar sozinha era o meu trabalho, pro resto todo tinha parceria.
Agora eu não posso ter mal estar de nenhuma ordem, nenhuma indisposição, e zero esquecimento.
O dia passa tão depressa e eu me divido entre tantos afazeres, chego em casa doida pra ficar quietinha mas até o silêncio reinar... demora! As crianças brincam, jantam, brigam, tem a hora do dever de casa, telefone tocando, pai visitando e me irritando, cachorro também querendo a minha atenção. Nessa hora eu sinto novamente que não posso falhar, muita coisa depende de mim.
E ainda tem Ele. E esse momento na minha vida, que tem sido O momento. Quando a gente finalmente consegue encaixar horário, rotina de filhos, trabalho e o que mais vier, desliga de tudo e vai ser feliz.
Eu não imaginava me encantar de novo com uma pessoa, achava mesmo que a mesmice daquele casamento iria durar pra sempre. Não fazia ideia do ainda estava por vir, e como a gente não escolhe nada nessa vida, veio assim, embolado às palavras finais do meu casamento. E eu não fingi que não era comigo, como já aconteceu tantas vezes. Eu topei, assumi o risco.
É uma química absurda, fico arrepiada a todo instante, ele me pega de um jeito que parece que estudou meu corpo antes. Fala cada coisa que me deixa doida, um tesão absurdo rola entre a gente. Falta fôlego, mas sobra vontade de estar junto.
E é uma pessoa totalmente centrada, ponderada, me ajuda a alinhar o raciocionio sempre. Me dá vários toques de como agir nas situações limite. E a intimidade? A gente tem uma intimidade enorme. E cumplicidade, divido várias coisas da minha vida com ele que eu não tenho vontade de dividir, por exemplo, com minha melhor amiga.
A vida deu um jeitinho da gente se encontrar no nosso tempo, não posso negar que quando o conheci aquele olhar deu uma mexidinha, mas naquele tempo não era o tempo ainda.
Bem que eu me lembro, eu desde menina sempre adorei supresas! E essa foi... das grandes.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Aniversário da Vovó

E mais um aniversário de Vovó, 86 anos, e eu me impressiono a cada dia com a força que ela tem.
A matriarca dessa familia, uma familia de mulheres. Pesado ter esse sobrenome, Batalha, mas essa galera faz juz!
Minha avó perdeu o filho, deixando seus três filhos, mas nunca perdeu a ternura. Ela chegou até por um momento duvidar se Deus existia realmente, hoje eu sou mãe e posso entender esse questionamento em meio a tanto sofrimento.
Três anos depois perdeu o marido, passou pelo luto inevitável, mas se libertou. Meu avô era sensasional com os netos mas era também uma pessoa de personalidade dificil, minha avó engolia muitos sapos. Era submissa, fazia sempre o que Vovô queria. Depois que ele morreu, ela foi modificando antigos hábitos. E de daquele momento, 1993, em diante leva sua vida com muita leveza e fazendo apenas o que gosta, o que quer. Sem ter a obrigação de se anular para agradar alguém.
Ela esteve muito perto de mim a minha vida toda, desde que eu nasci. Ela cuidou de mim até eu fazer três anos e entrar pra escola. E mesmo depois, esteve sempre presente. Ela fala pra todo mundo que eu sempre fui chata pra comer, que eu era a princesinha do meu pai, que eu escrevo muito bem e danço lindamente. Isso eu ouvi a minha vida inteira, ela fala sempre a mesma coisa. Depois que eu fui mãe, desenvolvemos outro tipo de relação. Ela mais uma vez muito próxima para não perder um minuto da vida dos bisnetos. Ajuda em tudo, até nos estudos. E, hoje, quando ela fala de mim para alguém, ela conta tudo aquilo da minha infãncia e completa com: "Minha neta é uma excelente mãe, só acho que ela está sempre correndo e trabalha demais". E eu completo: "Trabalho não Vó, o ritmo é esse mesmo." Ela franze a testa e me lembra que eu não posso ficar doente, "Quem vai cuidar dessas Crianças?".
Com a noticia da minha separação, ela deu um susto em todo mundo. Teve um pico de pressão, coisa que não acontecia há mais de dez anos, mas depois ficou bem porque viu que eu estou.
Outro dia me liga, dizendo que estava na minha Tia e tinho lido meu facebook: "Danielle, pra que dieta? Pra que ginástica? Você precisa é descansar e não se cansar mais!!!" Eu morri de rir, minha avó lendo minha página no facebook.
E hoje, na casa dela, reunimos a familia toda e foi a primeira vez depois que eu me separei. Ninguém perguntou nada, mas estavam todos tão carinhosos. Tão próximos, acolhedores, foi tão gostoso! E eu, que nos eventos nem curtia mais, hoje me surpreendi comigo. Fiquei muito conversando com minhas primas, relembramos várias coisas das antigas, vi que ainda temos tanto em comum.
E o dia terminou com a certeza de que a vida tem sido boa, apesar das durezas e chatices. Familia toda junta, risos pela sala, crianças correndo, pé sujo, felicidade traduzida em simplicidade.
Precisamos de pouco para sermos felizes, eu também preciso entender isso. E como diz a sábia Vovó... Para tudo se tem jeito, a única coisa quer não podemos mudar é a morte.
Amo você, Vó.

Escrito em 07/11/2010

Escrito em 22/09/2010

Hoje eu acordei mal da garganta, mais uma noite sem dormir um sono profundo, incomodou bastante e eu não relaxei. Finalmente despertei com meu filho e o telefone na mão, e a sensação de sono que não passa. Realmente me sinto dormindo ou na iminência de dormir a qualquer hora do dia.
Coloquei as crianças pra escola e enquanto fazia o leite da Alice percebi que esse momento tem sido muito mais tranquilo do que era. Não há correria, há uma organizada linha de produção. Não há gritos de manhã, há somente a minha voz pedindo delicadamente que eles se apressem pois a van não pode esperar. Um beijo na porta de casa e os acompanho até a entrada na van, de roupão escondendo a roupa de dormir, pela janela do meu quarto.
Começa o meu dia. Vou tomar um banho, tomo meu café da manhã e percebo que me acostumei a fazer tudo muito rápido. Sem quase curtir, no automático. Penso que queria passar um hidrantante e lembro da pergunta: "Pra que tão cheirosa?", e lembro da minha reação: Melhor não passar... E agora penso: Claro que vou passar! E passo.
Saio cheirosa pro meu quarto escolher a minha roupa, ainda de roupão. Escolho com calma, ainda são 6:40 e não há motivo pra pressa. Chego a hora que chegar, minha chefe só começa a trabalhar as 8:30. Não tem necessidade alguma estar no trabalho às 7:30. Percebo que faz muita diferença começar o dia sem pressa, com o meu ritmo acelerando devagar.
Escolho a roupa e penso naquele vestido branco, aquele mesmo que eu não podia nunca usar sem estar com ele. Por que? Eu vou usar o vestido branco. Ah... Como está me fazendo bem quebrar tabus.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Amor que permanece

Anteontem seria aniversário de 59 anos do meu pai, e eu não o vejo há 20, ele faleceu em 1990. O tempo passou depressa, mas eu senti cada ano, cada aniversário, cada Natal. Cada data eu senti sua ausência, medida pelo abraço que não nos demos.
A tristeza vai amenizando com o tempo, mas a saudade fica. Cada coisa que acontece na minha vida tento advinhar qual seria a reação dele.
Meu pai era uma pessoa muito alegre, adorava festa e estava sempre cercado pela familia e pelos amigos. Viajamos muito, comemoramos em grande estilo todos os aniversários e datas especiais, e lembro bem de como ele e a minha mãe tinham um casamento feliz. Eles não se chamavam pelo nome, se chamavam de "Amor". Lembro um dia que me perguntaram o nome da minha mãe na escola, eu respondi "Amor".
Ele era muito presente na vida dos filhos, ele era engenheiro e tinha uma firma (Chamada Ville: Vinicius + Danielle, obviamente isso aconteceu antes do Diego nascer). Por isso tinha certa flexibilidade de horários, e fazia questão de sempre nos levar e nos buscar na escola. Quando a empregada faltava era uma festa, a gente ia jantar fora.
Quando eu lembro da minha infância, ele é uma das memórias mais fortes. Seja na nossa casa de praia, seja na Disney ou no Playcenter. Sempre com um sorriso, sempre celebrando, sempre me chamando: Daninhaaaaaa! E a cada apresentação do ballet que ele filmava, e não podia bater palmas porque segurava a câmera, também gritava: Daninhaaaa! E me levava cada buquê de rosas que eu mal era capaz de segurar!
Era meu maior fã no ballet, era ele quem assistia às minhas aulas! Minha mãe raramente ia à escola de dança, ela ficava com os meninos, que eram menores. E quando a primeira escola, na Tijuca, ficou "pequena" aos olhos dele, ele tratou de escolher uma melhor pra pequena bailarina. E lá iamos nós três vezes por semana para a Dalal Achcar, na Gávea. Cedinho de manhã, tocava Elton John no rádio do carro (Cold cold heart... And it's not sacrifice...) e eu tentava imitar com o que aprendia nas aulas de inglês. Iamos rindo, sempre!
Depois, me colocou pra fazer um curso de férias na escola de dança do Municipal. Fui selecionada e entrei pro corpo de baile, com onze anos. Foi um dos maiores orgulhos dele. Ele me viu uma vez no palco do Municipal, dancei "O Quebra Nozes", ele chorou o espetáculo inteiro. Ele sempre me disse que um dia eu dançaria no Municipal, eu dancei... e ele viu! Uma única vez, mas ele viu.
Eu podia escolher dançar tudo: Jazz, sapateado, afro, mas o acordo era nunca deixar o ballet.
Outra grande alegria, mas essa não compartilhada, foi quando entrei pro Pedro II, a primeira vez que botei o uniforme todo mundo chorava. Ele foi aluno e levava isso como um dos grandes orgulhos, o mesmo orgulho que eu carrego e só quem é ex aluno entende.
Ele mostrou a mim e aos meus irmãos, dentre tantas coisas, o que é torcer pelo Flamengo. Não simplesmente impôs o amor ao clube, ele nos ensinou a ser flamenguista! Não perdia um jogo, era alucinado pelo Zico! Me lembro bem pequena brincando entre as cadeiras do Maracanã, e a minha filha repete esse cena! Ah se ele pudesse ter vivido isso...
Por tudo isso que ele representou na minha vida, tudo que ele escolheu pra mim e por mim, sinto tanto a sua falta. A saudade é sentida no dia a dia, pelas coisas que não vivemos: Minha adolescência, minha festa de quinze anos, minha entrada na vida adulta, a escolha da faculdade, ter me conduzido no meu casamento, o nascimento dos meus filhos e tudo que veio depois.
Mas ao invés de pensar em saudade que não passa, vou escolher ficar com o amor que permanece. Dói menos...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Carta pra ser lida daqui a uns anos.

Filhos,
Essa carta é pra vocês lerem no futuro, quando tudo isso passar e a gente tiver apenas uma vaga lembrança dessa época dificil. E acreditem tudo isso vai passar!Eu sei que na cabecinha de vocês dois está tudo confuso, realmente é muito dificil a gente gostar de uma coisa, querer uma coisa, ter sempre essa coisa e de uma hora pra outra perdê-la. Mas eu estou aqui para garantir à vocês dois que não existem perdas, só que agora vocês não conseguem enxergar assim. O ganho que nós teremos será infinito, a vida está recomeçando pra gente. Uma vida novinha em folha, como a folha branca de papel que a gente adora desenhar junto. A* vai fazer uma árvore com maçãs, V* vai desenhar uma casa e eu vou colorir o céu de vocês. A mamãe quer sempre garantir que o céu está lá no alto para ser alcançado.
Você, V*, que me ensinou a ser mãe com apenas vinte anos. Mas desde quando eu era menina eu sabia você chegaria! Eu sonhava com um menino chamado V*, mas você é muito mais do que eu sonhei. Um menino encantandor que desde muito pequeno me ensinou o amor incondicional, me mostrou o significado de familia, me mostrou que é nosso dever respeitar as pessoas, aceitá-las como elas são, valores muito fortes pra uma criança tão pequena. Não canso de repetir que você veio pronto, que você me ensina muito mais do que aprende, que você é a oportunidade que eu tenho todos os dias de ser uma mãe melhor. Não esqueço de você no jardim de infância, magoadissimo porque uma menina tinha batido em você e seu pai perguntou porque você não revidou. Sua resposta foi muito simples, do alto dos seus três anos: "Porque eu não bato em mulher". Meu olho encheu d'água.
Você, A*, que foi um bebê anjo mas mostrou a que veio quando deu seus primeiros passinhos, com apenas nove meses, e a partir dai ganhou o mundo. O mundo é seu minha princesa! Com olhos curiosos observa tudo atenta e tem sempre uma observação fantástica e engraçada sobre tudo o que lhe chama a atenção. É arteira, faladeira, vaidosa demais, mas moleca demais também. Muito bem articulada, não é qualquer argumento que lhe convence. Curiosa, quer saber o porque de tudo, super popular, todo mundo conhece a A*! E muito querida pelos amigos, é do tipo que compra a briga de todos eles. Enquanto seu irmão desde cedo se mostra um romântico incurável, você mostra que vai me dar muito trabalho. Vai ser difcil você sofrer por amor, embora algum dia isso se torne praticamente inevitável. Mas eu estarei sempre ao seu lado, lembrando que um dia também chorei por algum namoradinho que não correspondeu ao meu sentimento. A gente acha que não vai agüentar filha, mas acredite, se todo o sofrimento do mundo fosse um amor não correspondido, seria bem fácil viver!

(Essa carta não foi terminada, e os nomes foram preservados. Escrito em 11/12/2010)

Saudade de uma vida que já foi.

Saudade de uma vida que já foi, é isso que eu queria sentir nesse momento e não os pensamentos de raiva, ressentimento e decepção que estão me assombrando. Isso sim é muito ruim, sentir saudade não é ruim. E eu sou uma pessoa que simpatiza com a nostalgia que vem da saudade. A gente só sente saudade das coisas que marcaram a nossa vida positivamente, das coisas que foram especiais, dos sorrisos e até das lágrimas, mas só as de felicidade. Ninguém sente saudade da tristeza!
Tenho saudade da minha infância, mas não do dia em que meu pai se foi. Tenho saudade da minha adolescência, mas não da rebeldia que um dia eu tive nessa época. Tenho saudade dos meus filhos pequenos no meu colo, mas não das noites mal dormidas. Tenho saudade do sorriso, que era tão mais fácil.
Me reviro do avesso pra me livrar do sentimento ruim que estou sentindo, foco em outra coisa, qualquer outra coisa que seja! O sentimento de quem se doou demais, de quem foi além da conta, de quem um dia achou que era a mulher maravilha, de quem nunca quis decepcionar, de quem ultrapassou todos os limites internos em prol do sonho que era ter e manter uma familinha feliz. A familia existe, fui eu também quem construi. Então será que valeu a pena?
Quando eu era menina dizia que não queria ter filhos, porque doía. Dizia que não queria aprender a cuidar da minha casa, porque ia trabalhar muito e ter uma empregada. Dizia que queria ser engenheira igual ao meu pai. Dizia que não queria namorar porque os meninos são chatos demais. E o que aconteceu? Tive dois filhos e o amor transbordou de uma maneira tão intensa que eu não consigo nem me lembrar da dor. Aprendi a cuidar da minha casa sim, a fazer tudo que for preciso mesmo trabalhando muito e tendo uma empregada. Engenharia não é pra mim (prefiro letras a números), mas respiro a maldita todos os dias pois trabalho na ENGENHARIA. E pra quem falava que não iria namorar, me saí melhor que a encomenda. Não só namorei como mantive essa relação por treze anos. Monogamicamente!
Eu sei que essa saudade que eu quero sentir um dia vai chegar, vai chegar pra me mostrar que tiveram mais momentos felizes do que feios. Que as madrugadas que passamos em claro cuidando dos filhos, nos divertindo com amigos, namorando ou discutindo a relação não foram em vão. Que as viagens planejadas e executadas marcaram a gente, os planos feitos e riscados da listinha de pendências, a escola "ideal" escolhida pros nossos filhos, o apartamento, o primeiro carro zero e tantos "primeiros" que tivemos. Não quero falar que "não deu certo" e sim "deu certo enquanto durou", mas eu QUERO falar isso. Por hora não consigo.
E quando eu conseguir falar, finalmente vou sentir que valeu a pena os treze longos anos de devoção à uma pessoa, à nossa relação e posteriormente aos dois de nós dois.
Agora não dá, me esforço, olho lembranças, recordações dessa relação e não sinto a tal saudade. O que sinto é que esgotei um sentimento, que dele não sobrou nem um caquinho no meu coração, e então vou seguir assim. Esperando que finalmente a saudade apareça!

Escrito em 17/09/2010

O start

Escrevo desde muito cedo, me lembro que a minha avó sempre elogiava as coisas que eu escrevia nos cartões de aniversário dela. Minha tia também.

Sempre tive o hábito de escrever cartões, hoje tenho o hábito de mandar emails. Uma pena, a maioria dos meus amigos recentes nem conhece a minha letra.

Na adolescência também escrevia diários, que eram agendas. Cheias de fotos, bilhetinhos de amigas, confissões de paixões, registros de primeiro beijo, primeiro amor, primeiro namorado, primeira transa.

E eu adoro resgistrar minhas impresões pra ler depois. Tenho um outro blog, que eu escrevo desde a gravidez da minha filha. Mas esse aqui, é um registro meu, anônimo. Revelando o meu momento.

Vou tentar resgatar textos antigos, ir postando aos poucos para não perder o registro. Mas por hora, vou registrar as minhas percepções da nova vida.

Me separei e saí em busca de mim.