Saudade de uma vida que já foi, é isso que eu queria sentir nesse momento e não os pensamentos de raiva, ressentimento e decepção que estão me assombrando. Isso sim é muito ruim, sentir saudade não é ruim. E eu sou uma pessoa que simpatiza com a nostalgia que vem da saudade. A gente só sente saudade das coisas que marcaram a nossa vida positivamente, das coisas que foram especiais, dos sorrisos e até das lágrimas, mas só as de felicidade. Ninguém sente saudade da tristeza!
Tenho saudade da minha infância, mas não do dia em que meu pai se foi. Tenho saudade da minha adolescência, mas não da rebeldia que um dia eu tive nessa época. Tenho saudade dos meus filhos pequenos no meu colo, mas não das noites mal dormidas. Tenho saudade do sorriso, que era tão mais fácil.
Me reviro do avesso pra me livrar do sentimento ruim que estou sentindo, foco em outra coisa, qualquer outra coisa que seja! O sentimento de quem se doou demais, de quem foi além da conta, de quem um dia achou que era a mulher maravilha, de quem nunca quis decepcionar, de quem ultrapassou todos os limites internos em prol do sonho que era ter e manter uma familinha feliz. A familia existe, fui eu também quem construi. Então será que valeu a pena?
Quando eu era menina dizia que não queria ter filhos, porque doía. Dizia que não queria aprender a cuidar da minha casa, porque ia trabalhar muito e ter uma empregada. Dizia que queria ser engenheira igual ao meu pai. Dizia que não queria namorar porque os meninos são chatos demais. E o que aconteceu? Tive dois filhos e o amor transbordou de uma maneira tão intensa que eu não consigo nem me lembrar da dor. Aprendi a cuidar da minha casa sim, a fazer tudo que for preciso mesmo trabalhando muito e tendo uma empregada. Engenharia não é pra mim (prefiro letras a números), mas respiro a maldita todos os dias pois trabalho na ENGENHARIA. E pra quem falava que não iria namorar, me saí melhor que a encomenda. Não só namorei como mantive essa relação por treze anos. Monogamicamente!
Eu sei que essa saudade que eu quero sentir um dia vai chegar, vai chegar pra me mostrar que tiveram mais momentos felizes do que feios. Que as madrugadas que passamos em claro cuidando dos filhos, nos divertindo com amigos, namorando ou discutindo a relação não foram em vão. Que as viagens planejadas e executadas marcaram a gente, os planos feitos e riscados da listinha de pendências, a escola "ideal" escolhida pros nossos filhos, o apartamento, o primeiro carro zero e tantos "primeiros" que tivemos. Não quero falar que "não deu certo" e sim "deu certo enquanto durou", mas eu QUERO falar isso. Por hora não consigo.
E quando eu conseguir falar, finalmente vou sentir que valeu a pena os treze longos anos de devoção à uma pessoa, à nossa relação e posteriormente aos dois de nós dois.
Agora não dá, me esforço, olho lembranças, recordações dessa relação e não sinto a tal saudade. O que sinto é que esgotei um sentimento, que dele não sobrou nem um caquinho no meu coração, e então vou seguir assim. Esperando que finalmente a saudade apareça!
Escrito em 17/09/2010
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